quinta-feira, 30 de abril de 2015

Número de muçulmanos que se convertem ao cristianismo aumenta em Berlim

Número de muçulmanos que se convertem ao cristianismo aumenta em Berlim

berlim
BERLIM — Duas vezes por mês, a Igreja da Trindade, no bairro berlinense de Steglitz, é palco de um ritual que chama a atenção. Logo no início da liturgia de três horas e meia, a pia de batismo é cercada por adultos que recebem o sacramento do pastor Gottfried Martens. Quando batizados, os muçulmanos de Irã, Síria ou Afeganistão têm atrás de si uma odisseia de intolerância, opressão, violência ou guerra civil. Com a conversão ao cristianismo, eles dão um ponto final às suas biografias anteriores, nas quais a religião era mais um motivo de conflito do que do encontro da paz.
A Igreja da Trindade, evangélica luterana, não é a única da Alemanha que registra um movimento contra a corrente. Em todo o país, milhares de muçulmanos converteram-se ao cristianismo nos últimos anos. Segundo Gottfried Martens, de 52 anos, quanto maior é o debate sobre o fundamentalismo e o jihadismo na mídia, maior é também o interesse de jovens muçulmanos pelas religiões cristãs.
Mas o fundamentalismo religioso nos países de origem é também um fator importante na decisão da conversão. Somaye, uma iraniana convertida ao cristianismo, afirma que resolveu deixar de ser muçulmana no dia em que começou a ser perseguida pela polícia religiosa do seu país.
— Eu estava fora de casa quando fui informada por amigos que a minha casa tinha sido vasculhada pela polícia religiosa, que encontrou no meu quarto uma Bíblia, um delito grave para um muçulmano no Irã — revela a iraniana de 29 anos.
Uma conversão ao cristianismo só é possível no exílio. Países como o Irã, que têm uma polícia religiosa com poderes ainda maiores do que a Justiça comum, classificam a conversão como um crime tão grave que deve ser punido com a pena de morte.
Para evitar a perseguição no exílio, a igreja alemã mantém sigilo sobre os convertidos, embora o batismo, que é a coroação do processo de conversão, seja aberto ao público. A Igreja da Trindade batiza atualmente mais adultos muçulmanos do que crianças. Dois domingos do mês são dedicados ao batismo de muçulmanos adultos, enquanto os domingos restantes, alternados, têm como centro da liturgia o batismo de crianças.
Com orações rezadas em farsi (idioma do Irã) e em árabe, a missa dos convertidos da igreja de Steglitz termina com comemorações pelos novos cristãos e um bufê com especialidades dos países de origem dos batizados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mariana Valadão - Hosana

Envie uma mensagem para Email do amigo